Em meio ao caos e ao desespero, uma água grossa e contínua vinda do céu, a tempestade trazia a tona a tragédia. Lama, casas desfazendo-se, famílias e bichos perdendo-se. Medo do fim do mundo. Notícias pela TV e falta de notícias. Só quem estava lá e sobreviveu pode dizer o que foi. Pode-se dizer que quem sobreviveu nasceu de novo. Milagre. Deus. Conspiração do Universo. Sorte, parece ser o menos certo deles.
Uma família deslizou no barro sobre um pedaço de laje da cozinha. Viveram. Por um milagre. A voz de um deles dando notícias ao telefone foi alívio e certeza, gratidão e felicidade. Estão vivos, graças a Deus.
domingo, 16 de janeiro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Um sonho de fruta
Era uma vez uma mini-mulher melancia. Desde pequena seu sonho era ser mulher fruta. Ninguém acreditava que pudesse ser realizado, mas conforme ela foi crescendo, todos realmente começaram a enxergar nela uma menina-fruta-prodigio. Num belo dia, ela decidiu fazer algo radical: se pintar de melancia e sair na rua assim, tinta e pele, só para chamar atenção. Quem sabe não a chamariam para a Playboy? Ou até mesmo para a revista Sexy, para ela tanto fazia. Mas começou a chover, sua tinta corporal começou a derreter e ela, desesperada, saiu correndo até encontrar uma feira. Na feira, pegou a maior melancia que viu, deu um soco no meio e começou a comer desesperadamente. Segundo ela, se comece muita melancia, transformaria-se numa. Bem, lógico que não foi o que aconteceu. Então, quando chegou na décima primeira melancia, decidiu parar de comer, já que continuava igual. Ela ficou traumatizada, coitada. Não entendia como um talento tão evidente poderia ser desperdiçado. Até tentou explorar outros talentos, mas foi pior: descobriu não ter nenhum. Bem, ela tinha um do qual se envergonhava, que era fazer programas, mas só fazia nas horas vagas, escondida de todos.
Um dia, acordou determinada: não poderia deixar passar mais tempo, se não realizasse seu sonho frutífero ela desistiria dele pra sempre. Trágico, não? Pois é. Ela foi para o shopping, entrou num quiosque que lá tinha, subiu no balcão, ligou o radinho no último volume do “Créu” e começou a dançar. Uma multidão aglomerou-se a sua volta. Quando finalmente havia terminado a velocidade 5, foi aplaudida. E todos se perguntavam o que aquela mulher pretendia. No meio de seus agradecimentos vieram os seguranças do shopping, desceram-na do balcão e levaram-na dali. Foi acusada de atentado ao pudor. Chegou a ir à delegacia, mas foi logo liberada. Chegou em casa exausta, mas satisfeita, conseguira ser mulher melancia pelo menos por um instante. Ficou até emocionada em pensar. Agora que já havia alcançado seu grande objetivo de vida, resolveu arranjar outro rumo: virar vaqueira era seu segundo sonho, era a melhor maneira de achar o boi de sua vida. Casaria e teria vários cabritos. Mesmo depois de casada, não conseguiria largar seu hobby secreto: fazer programas.
Um dia, acordou determinada: não poderia deixar passar mais tempo, se não realizasse seu sonho frutífero ela desistiria dele pra sempre. Trágico, não? Pois é. Ela foi para o shopping, entrou num quiosque que lá tinha, subiu no balcão, ligou o radinho no último volume do “Créu” e começou a dançar. Uma multidão aglomerou-se a sua volta. Quando finalmente havia terminado a velocidade 5, foi aplaudida. E todos se perguntavam o que aquela mulher pretendia. No meio de seus agradecimentos vieram os seguranças do shopping, desceram-na do balcão e levaram-na dali. Foi acusada de atentado ao pudor. Chegou a ir à delegacia, mas foi logo liberada. Chegou em casa exausta, mas satisfeita, conseguira ser mulher melancia pelo menos por um instante. Ficou até emocionada em pensar. Agora que já havia alcançado seu grande objetivo de vida, resolveu arranjar outro rumo: virar vaqueira era seu segundo sonho, era a melhor maneira de achar o boi de sua vida. Casaria e teria vários cabritos. Mesmo depois de casada, não conseguiria largar seu hobby secreto: fazer programas.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Do Natal
O natal é sempre uma esperança. O nascimento, a festa, as luzes, tudo. A fé e a família. A vida a ser celebrada. A gratidão. A vontade de ser bom. Feliz Natal, amigos! Jesus nasceu!
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Vento (Reeditado)
É acreditar estar forte para uma brisa leve revirar meu tempo e transformar meu pensamento num vendaval. Tanto medo do medo. Tão vulnerável por mim e pelo que não existe ao certo. Tenho medo do que pode estar por perto e chegar sem avisar. Tenho medo do destino e da efemeridade. Quanto a eternidade, é por não saber o tempo que vai durar. E quando acabar?
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Presente ausência
O silêncio da sua imagem esvaziou minhas horas. A monotonia da sua ausência inquietou meus dias. Começo a ter dificuldade em visualizar suas cenas. Sua graciosidade pelo tempo é esmorecida. Preciso ver-te antes que a lembrança seja nua de imagens, gestos e de suas pequenas manias.
Meus olhos se contentariam com uma aparição apenas, de relance, num átimo de instante, de preferência no meio do seu vasto riso, sem aviso, daqueles que só existem em ti: cessa na boca, continua nos olhos. Esses seus olhos que sorriem para os passantes e só não vê quem não quer ou é distraído. Que culpa tens, se teus olhos são sorridentes?
Eles sorriram pra mim e você nem sabe.
Meus olhos se contentariam com uma aparição apenas, de relance, num átimo de instante, de preferência no meio do seu vasto riso, sem aviso, daqueles que só existem em ti: cessa na boca, continua nos olhos. Esses seus olhos que sorriem para os passantes e só não vê quem não quer ou é distraído. Que culpa tens, se teus olhos são sorridentes?
Eles sorriram pra mim e você nem sabe.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Pressa
Tateando
A coragem,
achou
A fé.
Apanhou-a na mão e
correu
Colocando-a
No bolso.
Esqueceu-se dela.
Depois,
desaprendera como era usá-la.
A coragem,
achou
A fé.
Apanhou-a na mão e
correu
Colocando-a
No bolso.
Esqueceu-se dela.
Depois,
desaprendera como era usá-la.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
Guardado
As vezes tenho um pensamento
que anula todos os outros e
por si só
está certo.
É ele que sustenta
esse sonho que levo
e faz eu querer
mais do que tê-lo
Ser contida pelo sonho
e ver meus pés sobre ele.
que anula todos os outros e
por si só
está certo.
É ele que sustenta
esse sonho que levo
e faz eu querer
mais do que tê-lo
Ser contida pelo sonho
e ver meus pés sobre ele.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Vagas imagens (Reeditado)
Minha infância
vai dando sinais de fim.
O mundo
que eu queria congelar
pra mim
parece tentar evitar
as mudanças em vão
Se arrasta
entre as perdas
que precisa superar,
Teme finalmente abrir os olhos
e notar
que aquele mundo
não mais existe.
Aqueles quintais de terra
virando pó
e aquelas pessoas de sempre
tão antigas
virando estrela
e poeira
e tudo virando lembrança.
O sol não mais iluminando
as telhas vermelhas,
Minhas férias
não mais em um interior de paralelepípedos.
Meu cachorro mais como um instante.
Meus pais mais cansados.
Minha irmã mais remota.
Eu mais sisuda.
vai dando sinais de fim.
O mundo
que eu queria congelar
pra mim
parece tentar evitar
as mudanças em vão
Se arrasta
entre as perdas
que precisa superar,
Teme finalmente abrir os olhos
e notar
que aquele mundo
não mais existe.
Aqueles quintais de terra
virando pó
e aquelas pessoas de sempre
tão antigas
virando estrela
e poeira
e tudo virando lembrança.
O sol não mais iluminando
as telhas vermelhas,
Minhas férias
não mais em um interior de paralelepípedos.
Meu cachorro mais como um instante.
Meus pais mais cansados.
Minha irmã mais remota.
Eu mais sisuda.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Dessas coisas
Pego-me na ansiedade alegre de uma criança que espera por um passeio ou por um saco de pipoca. Passo os dias assim, nessa expectativa pelo óbvio que ninguém vê. As músicas tocadas embalam meus calafrios no estômago.
Se pudesse, diria ter arranjado a inspiração, como se fosse aquela musa do poeta. Temo a censura. E de onde evoco tanta beleza, se hoje, olhando naqueles olhos e rosto tão de perto talvez nem fossem tanto? Mas são tão belos. Pergunto-me se ninguém mais vê. Tão belos. Acho, as vezes, que aquela beleza foi feita sob encomenda pra mim.
Aonde fui buscar tanto encanto para um só rosto entre tantos?
Cruzo os dedos para que fique ao meu lado e não ache graça neles. Mas não consigo ser divertida ou coisa alguma. Perco-me. Fico sem palavras, sem saber por onde começar. Forjo uma naturalidade que não é minha, até minha voz muda sem meu comando.
Mas quando conseguimos uma conversa, uns risos, dessas coisas sem pretensão ou nervosismo, fica tudo tão bom e mais bonito - faz-se festa dentro de mim.
Se pudesse, diria ter arranjado a inspiração, como se fosse aquela musa do poeta. Temo a censura. E de onde evoco tanta beleza, se hoje, olhando naqueles olhos e rosto tão de perto talvez nem fossem tanto? Mas são tão belos. Pergunto-me se ninguém mais vê. Tão belos. Acho, as vezes, que aquela beleza foi feita sob encomenda pra mim.
Aonde fui buscar tanto encanto para um só rosto entre tantos?
Cruzo os dedos para que fique ao meu lado e não ache graça neles. Mas não consigo ser divertida ou coisa alguma. Perco-me. Fico sem palavras, sem saber por onde começar. Forjo uma naturalidade que não é minha, até minha voz muda sem meu comando.
Mas quando conseguimos uma conversa, uns risos, dessas coisas sem pretensão ou nervosismo, fica tudo tão bom e mais bonito - faz-se festa dentro de mim.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Contentamento
A presença
mais carregada de festejo
e alegria.
Se somente a companhia
é carrega
de tantos festejos
e de tantas alegrias
Imagine só
o que não são
Os risos –
festas prontas,
As conversas –
diálogos desejáveis
de serem ouvidos,
Os abraços –
ternura infinita,
E toda a intimidade –
Ah!
Uma delícia.
Ao menos sei ou quero
dizer porque é tão bom:
Ai, que saudade dos seus dias!
mais carregada de festejo
e alegria.
Se somente a companhia
é carrega
de tantos festejos
e de tantas alegrias
Imagine só
o que não são
Os risos –
festas prontas,
As conversas –
diálogos desejáveis
de serem ouvidos,
Os abraços –
ternura infinita,
E toda a intimidade –
Ah!
Uma delícia.
Ao menos sei ou quero
dizer porque é tão bom:
Ai, que saudade dos seus dias!
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Sua graça
A sua entrada
iluminou
todo esse lugar
Onde antes
Tudo era pálido
e sem graça
A sua graça
Trouxe beleza
Genuína
e encantadora
A morenice arrebatadora
que só sua
áurea de encanto
pode trazer.
Quase me esqueço
de cada traço
de cada trejeito
que ainda
Nem decorei.
Estranha mania
minha essa
a de colocar
sua pele de sol
Num pedestal.
Quase me esqueço
que de teu
Guardo apenas
poucas palavras
trocadas
E umas imagens
congeladas.
iluminou
todo esse lugar
Onde antes
Tudo era pálido
e sem graça
A sua graça
Trouxe beleza
Genuína
e encantadora
A morenice arrebatadora
que só sua
áurea de encanto
pode trazer.
Quase me esqueço
de cada traço
de cada trejeito
que ainda
Nem decorei.
Estranha mania
minha essa
a de colocar
sua pele de sol
Num pedestal.
Quase me esqueço
que de teu
Guardo apenas
poucas palavras
trocadas
E umas imagens
congeladas.
sábado, 22 de maio de 2010
-
Não tenho nada a dizer.
O vestígio de angústia
que ainda habita em mim
tem a voz baixa
Sem força suficiente
para se fazer entender.
Minha cabeça parece vazia –
eu sei, ela não está
Nem quer.
Mas os pensamentos
vêm
vão
sem o menor compromisso
de serem meus.
Chegam dando rasantes,
pousam,
ganham abrigo,
se vão.
As vezes voltam
Outras nem se fazem lembrar.
Mudam-se com desapego
Acho que não têm endereço fixo.
Alguns
são bons conselheiros,
Outros
não passam de companhias
indesejáveis.
Tem horas
que tudo que existe
sou eu.
O mundo lá fora,
eu espero,
toma conta de mim –
ou não,
sabe lá o destino.
Não percebo ninguém,
nada.
Sons passam distantes.
Eu passo distante.
Sorrio para o nada,
vidro os olhos em alguém –
nem reparo no que faço.
Alguém me reparou.
Eu não vi.
E o tempo voa,
não pensa em parar pra eu pensar
em paz.
O tempo vai embora
e não pensa em voltar
atrás.
O vestígio de angústia
que ainda habita em mim
tem a voz baixa
Sem força suficiente
para se fazer entender.
Minha cabeça parece vazia –
eu sei, ela não está
Nem quer.
Mas os pensamentos
vêm
vão
sem o menor compromisso
de serem meus.
Chegam dando rasantes,
pousam,
ganham abrigo,
se vão.
As vezes voltam
Outras nem se fazem lembrar.
Mudam-se com desapego
Acho que não têm endereço fixo.
Alguns
são bons conselheiros,
Outros
não passam de companhias
indesejáveis.
Tem horas
que tudo que existe
sou eu.
O mundo lá fora,
eu espero,
toma conta de mim –
ou não,
sabe lá o destino.
Não percebo ninguém,
nada.
Sons passam distantes.
Eu passo distante.
Sorrio para o nada,
vidro os olhos em alguém –
nem reparo no que faço.
Alguém me reparou.
Eu não vi.
E o tempo voa,
não pensa em parar pra eu pensar
em paz.
O tempo vai embora
e não pensa em voltar
atrás.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Versinhos de um bobo
Eu gosto de andar
e olhar
pra você andando
e sorrindo
do meu lado.
Eu gosto de chegar lá
e ver
Seu sorriso farto e fácil
notando meu novo penteado.
Eu gosto de reparar
e ver
Que você leva a morenice
e o encanto
Lado a lado.
Eu gosto de dançar
os olhos em você
e vislumbrar
Em seus olhos
a inocência
quase sem nenhum
pecado.
Eu não gosto de pensar
E entender:
Mal te conheço
E já estou tão encantado.
e olhar
pra você andando
e sorrindo
do meu lado.
Eu gosto de chegar lá
e ver
Seu sorriso farto e fácil
notando meu novo penteado.
Eu gosto de reparar
e ver
Que você leva a morenice
e o encanto
Lado a lado.
Eu gosto de dançar
os olhos em você
e vislumbrar
Em seus olhos
a inocência
quase sem nenhum
pecado.
Eu não gosto de pensar
E entender:
Mal te conheço
E já estou tão encantado.
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