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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O homem sem letreiros

Acima de sua cabeça o céu é vasto
sem telhas
O ritmo de seus pensamentos
É o das nuvens.
Homem sem letreiro
nem relógio digital
é visto da estrada pousando o queixo
sob as mãos ancoradas na enxada.
Não evoquei cena, eu primeiro vi.

Deve ter uma casinha azul, uma mulher, apenas dois filhos
E amar para ele é defender.
Tem TV e fala de acontecimentos recentes
mas há espaço, há espaço em tudo,
tanto que as vezes é como esquecer-se.
Enquanto cremos amar, ele defende
firme, calmo, certeiro, simples
defende.
Que céus acima de sua cabeça, e que pensamentos terá?
Que vida de silêncio e cultivo.
Enquanto nos distraímos confusos, ele defende
e defenderá.

Que ares em seus pulmões, e quanto tempo, quanto tempo lhe cabe.
O homem sem letreiros nem escusas defende:
veste-se, come, é, caminha, tem prazer, ri, dorme, desperta
Isento de persuasão.
Anda por entre as vaquinhas, tão natural.
Todas as coisas cada uma em seu tempo
ouvindo os movimentos
particulares do mundo.
O homem sem letreiros é lúcido,
para e escuta.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Distância

Não há verdade oculta alguma.
Não vê? É isto mesmo.
Plantas verdes na janela, a janela, o ar frio,
A mesma paisagem de 20 anos.
Os carros veiculam na rua, o movimento da máquina
Não há verdade, há engrenagem.
O homem que caminha, a criança que pula
Sem verdade ou mentira, só envergadura.

Os sentimentos por detrás de cada pensamento, e o sentimento irracional.
Não há verdade no sofrimento, no amor ou na suspensão destes.
Há pausas e continuidades,
Um jarro d’água lançado à parede
Se estatela molha quebra.
Depois seca.

Não há verdade nas palavras –
pensamentos em matéria.
Há desabafo e desejo,
A falta, que também é desejo.
Não há espaços vazios, só estão cheios daquilo
que não sabemos vemos cremos.